• Quasar Cia. de Dança - No Singular -  Foto: Rubens Cerqueira Quasar Cia. de Dança - No Singular - Foto: Rubens Cerqueira
  • Larissa Turtelli - Valsa do Dessassossego - Foto: Frank Jeske Larissa Turtelli - Valsa do Dessassossego - Foto: Frank Jeske
  • Pedro Salustiano - Samba no Canavial Pedro Salustiano - Samba no Canavial
  • Sociedade Masculina & Studio 3 - Martha Graham - Memórias Sociedade Masculina & Studio 3 - Martha Graham - Memórias
  • Sonha Lobato - Foto: Mila Petrillo Sonha Lobato - Foto: Mila Petrillo
  • Larissa Turtelli - Valsa do Dessassossego - Foto: Pedro Ferreira Larissa Turtelli - Valsa do Dessassossego - Foto: Pedro Ferreira
  • Ballet Stagium - Kuarup ou A Questão do Índio Ballet Stagium - Kuarup ou A Questão do Índio
  • Maurício de Oliveira & Siameses - Objeto Gritante - Foto: Jônia Guimarães Maurício de Oliveira & Siameses - Objeto Gritante - Foto: Jônia Guimarães
  • Pedro Salustiano - Samba no Canavial Pedro Salustiano - Samba no Canavial
  • Incunábula Companhia - Alfaiataria de Gestos Incunábula Companhia - Alfaiataria de Gestos
  • Índios.com - Rastros Híbridos Índios.com - Rastros Híbridos
  • Ballet Stagium - Kuarup ou A Questão do Índio Ballet Stagium - Kuarup ou A Questão do Índio
  • Ismael Ivo - Francis Bancon Ismael Ivo - Francis Bancon
  • Quasar Cia. de Dança - No Singular -  Foto: Rubens Cerqueira Quasar Cia. de Dança - No Singular - Foto: Rubens Cerqueira
  • J.Gar.Cia Dança Contemporânea - O Mesmo Lugar de Sempre J.Gar.Cia Dança Contemporânea - O Mesmo Lugar de Sempre
  • Ballet Stagium - Kuarup ou A Questão do Índio Ballet Stagium - Kuarup ou A Questão do Índio
  • Quasar Cia. de Dança - No Singular -  Foto: Rubens Cerqueira Quasar Cia. de Dança - No Singular - Foto: Rubens Cerqueira
  • Kleber Damásio - Construindo Janice Kleber Damásio - Construindo Janice
  • Marcia Milhazes Cia. de Dança - Camélia Marcia Milhazes Cia. de Dança - Camélia
  • Quasar Cia. de Dança - No Singular -  Foto: Rubens Cerqueira Quasar Cia. de Dança - No Singular - Foto: Rubens Cerqueira
  • Pedro Salustiano - Samba no Canavial Pedro Salustiano - Samba no Canavial
  • Balé da Cidade de São Paulo - Paraíso Perdido - Foto: Sylvia Masini Balé da Cidade de São Paulo - Paraíso Perdido - Foto: Sylvia Masini
  • São Paulo Cia. de Dança São Paulo Cia. de Dança
  • Maurício de Oliveira & Siameses - Objeto Gritante - Foto: Jônia Guimarães Maurício de Oliveira & Siameses - Objeto Gritante - Foto: Jônia Guimarães
  • Ricardo Iazzetta - Noiva Despedaçada Ricardo Iazzetta - Noiva Despedaçada
  • Balé Popular da Bahia Balé Popular da Bahia
  • Cia. Omstrab Cia. Omstrab
  • Balé da Cidade de São Paulo - Z Balé da Cidade de São Paulo - Z
  • Grupo Corpo - Bach Grupo Corpo - Bach
  • Marcia Milhazes Cia. de Dança - Santa Cruz Marcia Milhazes Cia. de Dança - Santa Cruz
  • Grupo Cena 11 - Violência Grupo Cena 11 - Violência
  • Umberto da Silva - Cara Pálida Umberto da Silva - Cara Pálida
  • Arsenale della Danza - Ensaio em Veneza com Ismael Ivo Arsenale della Danza - Ensaio em Veneza com Ismael Ivo
  • Zélia Monteiro - 6 estudos para flutuar - Foto: Vitor Vieira Zélia Monteiro - 6 estudos para flutuar - Foto: Vitor Vieira
  • Cartaz Arsenale della Danza Cartaz Arsenale della Danza
  • Balé da Cidade de São Paulo - Paraíso Perdido - Foto: Sylvia Mansini Balé da Cidade de São Paulo - Paraíso Perdido - Foto: Sylvia Mansini
  • Deborah Colker Cia. de Dança - Velox Deborah Colker Cia. de Dança - Velox
  • ÓPERA POBRE, MARCELO FERREIRA ÓPERA POBRE, MARCELO FERREIRA
  • COMPANHIA URGENTE, VITÓRIA, ESPÍRITO SANTO COMPANHIA URGENTE, VITÓRIA, ESPÍRITO SANTO
  • COMPANHIA URGENTE, VITÓRIA, ESPÍRITO SANTO COMPANHIA URGENTE, VITÓRIA, ESPÍRITO SANTO
     

Corpo, arte e pesquisa em Klauss Vianna, entre-lugares de dança e teatro.

 

Este foi o nome da mesa temática apresentada por Cássia Navas (UNICAMP) e Joana Ribeiro Tavares (UNIRIO) no VIII Congresso da ABRACE- Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, no começo do mês de novembro. Até o final deste mês o texto completo da mesa estará no site da ABRACE www.portalabrace.org.br, como uma delicada trama de duas pesquisas a partir de trabalhos elaborados em topologias diferentes da investigação da cena do país.

Por ora, segue, abaixo, um resumo do mesmo (as well its “little abstract”).

 

  1. 1.    Corpo, arte e pesquisa em Klauss Vianna, entre-lugares de dança e teatro.

Reflexão crítica sobre o trabalho de Klauss Vianna (1928-1992), pesquisador do Brasil, cuja obra fundamenta-se em pressupostos do moderno e contemporâneo.

Revolucionário revisor de tradições, inaugura um território do conhecimento na arte da cena brasileira, em diálogo com metodologias e epistemes de seu tempo. Depois de sua morte, e, em permanência, estes diálogos continuam a ecoar em modos de pensar-agir. Um debate sobre este “estado da arte” é fundamental para pesquisadores da dança, performance e teatro.

Neste horizonte, a mesa temática problematizou sua inscrição na contemporaneidade, mediante olhares provenientes de grandes campos – história, poéticas da arte e educação somática.

Valendo-se destes eixos, enunciou-se – em debate – ideias sobre sua inserção no tecido da cultura brasileira, localizando-o em topologias da modernidade e da pós-modernidade em arte.

Com base em pesquisas sobre suas ações no campo da formação, criação e difusão, ao longo de sua trajetória em Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, a reflexão partiu de suas questões fundamentais, ancoradas na investigação do corpo – em dança e teatro –   expandido nas artes da cena e na sociedade de seu tempo.

Neste sentido, o “conhecimento em Klauss Vianna” foi encarado como “entre-lugar”, ali considerado como novo território da arte.

Novo porque historicamente revisitado ou porque organizado a partir de registros atuais de percepção.  Este território também se constrói à luz de índices encontrados na “família Vianna”, além daqueles revelados pelo saber-fazer de colaboradores, alunos, bailarinos e atores.

 

 

  1. 2.    Body, art and research in Klauss Vianna: between dance and theatre

The panel presented a critical reflection on the work of Klauss Vianna (1928-1992), trying to situate him in contemporary society through glances at fields such as history, poetics of art and somatic education.

Drawing on these axes, we enunciated and discussed his position in the fabric of Brazilian culture, locating him in the topologies of modernity and post-modernity in art.

Based on research about his actions in the fields of training, creation and dance and theatre popularization during his career in Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro and São Paulo, this reflection starts from his core interests, based in physical body research – in dance and in theatre – expanded into the performing arts and the society of his time.

In this sense, the “knowledge about Klauss Vianna” was seen as an “in-between place”, and was there considered as a new field of the art.

New because historically revisited or because organized from current records of perception. This territory is also built in light of indications found within the “Vianna family”, beyond those revealed by the know-how of employees, students, dancers and actors.

 

São Paulo, novembro de 2014.

Cássia Navas

 

Envie seus comentários para e sobre o site. Para tanto, aperte o botão CONTATO. Até lá!

As imagens acima postadas são de caráter ilustrativo, não se referindo, necessariamente, a textos específicos deste site.

NOVO/NEW

 

COMO DANÇA SÃO PAULO – MINHASP

São Paulo, 22 horas. Saímos da estação de metrô Belenzinho, em um sábado à noite. Percebe-se o final de uma fila de jovens que se organizada ao longo de um muro junto à saída do metrô. Começamos a andar ao lado da fila e quando chegamos ao Chic Show, casa de dança para onde nos dirigimos, percebo que a fila é para comprar os ingressos para entrar no local. A noite vai ser animada, pesquisa se misturando à aventura.

Neste dia de 1991, estamos em meio à produção do documentário “Como Dança São Paulo, sobre dança na cidade de São Paulo, produzido pela Secretaria Municipal da Cultura.

Até a ida ao Chic Show, já tínhamos filmado n Forró do Pedro Sertanejo (Brás), o Clube da Saudade da Lapa, a Nation (Jardins), o Lambar (Itaim), e outras casas de dança da cidade de São Paulo. Faltavam ainda algumas tomadas, mas o desafio de documentar um baile do Chic Show seria grande. Nascido nas salas da gafieira São Paulo Chic, na Barra Funda, fora crescendo depois que netos e filhos dos “bambas” do samba do lugar resolveram criar um baile para outros ritmos, principalmente aqueles que vinham nas asas do blues norte-americanos. Quando o tamanho do público aumentou, espraiaram-se para o salão do Belenzinho.

A multidão dançava dentro do Chic Show: samba-rock, rock, soul, charm. Mais de quatro mil pessoas passariam por ali naquela noite, e de cima do palco observava uma “São Paulo que dança”. Proximamente, filmaríamos outra tribo dançante, a do samba, na pesquisa e filme representada pelo ensaio final da Escola de Samba Camisa Verde e Branco, na Barra Funda, dias antes do Carnaval.

Chovia e fazia calor, povo dançando em torno do mestre-sala e da porta-bandeira, duo que nos apresenta a realeza de cada escola de samba, carregando o estandarte da escola nas mãos e a sua energia em passos coreografados durante cada desfile. Como na foto do “casal real”, da Escola de Samba Pérola Negra, da Vila Madalena.

21 nos se passaram da estreia do documentário, mudaram os ritmos, mudou a vida, mas a quantidade de pessoas que dançam a cada dia em São Paulo, só fez crescer.

No documentário de 1991, produzido sobre duas pesquisas que realizei na Equipe de Pesquisa-Artes Cênicas/Centro Cultural São Paulo, a primeira vez pelos registros fotográficos de Gal Oppido e, no filme, com direção de Aluisio Raulino, a proposta era mostrar a dança pelo lado de quem a fazendo com paciência, método, alegria e entusiasmo não têm a arte como uma profissão.

Desde sempre e diferentemente do que muitos pensam, dança-se muito em São Paulo, tão laboriosamente quanto aqui se trabalha. E em muitos cantos e espaços- – palco, salão, quadra, boate, desvão de estação de metro ou trem onde cidadãos movem-se em dança, e de variadíssimas maneiras.

Os gêneros destas danças vão e vem, a lambada que documentamos no “Como Dança São Paulo”, já quase não existe. Apareceu o forró universitário, as danças do hip hop se fortaleceram e se multiplicaram e a pulsação de uma cidade – que muitos pensam só se mover pelas ruas, prédios, comércio, serviços e fábricas- continua a se fazer pela dança.

Uma multidão de pessoas dança em São Paulo. Por prazer, por paixão, pela importância de pertencer a uma comunidade, pela coerção do rito, pela alegria da pertença a um ritmo, movimento, cadência. Para acompanhadamente estar sozinho controlando seu corpo em cultura rica de significados. Individualidades somando culturas grupais.

A todos estes atores agregam-se aqueles que fazem da dança sua profissão-coreógrafos e bailarinos que para além da ocasião, rito, celebração ou ato social, a partir da arte comunicam conhecimento humano através da escrita coreográfica.

Estão nos espetáculos de dança, pelos quais nos contam – sem palavras- temas, sensações, histórias e emoções de nossos tempos Pulsando junto com a cidade, estabelecem conexões com toda a dança que se faz por aqui, todo dia e a cada momento, e representados estão no balé de cada dupla de “porta-bandeira e mestre sala” que rasga o sambódromo, a cada ano.

Cássia Navas

Nascida em São Paulo, no bairro da Bela Vista, morou no Belém, Tucuruvi, Jardim São Paulo, Moema, Lapa e Alto de Pinheiros, tudo em São Paulo, sua cidade e casa. Pesquisadora e ensaísta, é professora de história/teoria da dança na UNICAMP/Universidade de Campinas e curadora de mostras/festivais.