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PARA COMEÇAR 2016: AULA INAUGURAL de MÁRIO QUINTANA, em  Apontamentos de História Sobrenatural, Editora Globo, Porto Alegre, 1995, 5ª ed

 

Aula Inaugural

 

É verdade que na Ilíada não havia tantos heróis
como na guerra do Paraguai…..
Mas eram bem falantes
E todos os seus gestos eram ritmados como num balé

Pela cadência dos metros homéricos.
Fora do ritmo, só há danação.
Fora da poesia não há salvação.
A poesia é dança e a dança é alegria.
Dança, pois, o teu desespero, dança
Tua miséria, teus arrebatamentos,
Teus júbilos
E,
Mesmo que temas imensamente a Deus,
Dança como David diante da Arca da Aliança;
Mesmo que temas imensamente a morte
Dança diante de tua cova.
Tece coroas de rimas….
Enquanto o poema não termina
A rima é como a esperança
Que eternamente se renova.
A canção, a simples canção, é uma luz dentro
da noite.
(Sabem todas as almas perdidas…)
O solene canto é um archote nas trevas.
(Sabem todas as almas perdidas)

Dança, encantado dominador de monstros,
Tirano das esfinges,
Dança, Poeta,
E sob o aéreo, o implacável, o irresistível ritmo
de teus pés,
Deixa rugir o Caos atônito….

Um abraço

Cássia Navas

 

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